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sexta-feira, 30 de julho de 2010
 
BOM DIA A CAVALO
 Antonio Carlos Gaio                       terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Quem muito fala dá bom dia a cavalo. Quem tem muita necessidade de conversar acaba dando bom dia a cavalo. Na maior parte do tempo é traído pela tendência de falar sem pensar. Dirige-se a quem quer que seja para conversar. É quando demonstra sua personalidade insaciável em se comunicar. A ponto de causar inveja nos reprimidos de nascença, que o acusam de invasivo e espaçoso, tamanho o trânsito dentre os sociáveis e a capacidade de fazer amigos na vida mundana.
Fala demais, sem medida, um tagarela a caminho de destrambelhar que costuma levar inadvertidamente os seus problemas familiares para fora do âmbito doméstico. Se assim for, um bisbilhoteiro que não guarda segredo e facilmente fala sobre tudo o que ouve. Podendo resvalar para leviano, se com sua língua ferina dá conhecimento a outrem localizando fatos e identificando pessoas numa roda de amigos. É quando entrega tudo de bandeja e enxuga o veneno que escorre dos cantos da boca.
Em compensação, não faz distinção nem discrimina. Não é hipócrita, diz a verdade doa a quem doer. Bate de frente com as mulas que não andam e com os ordenadores de etiqueta que exigem modos - componha-se!
A carreira de dar bom dia a cavalo é interrompida pelo cansaço quando descobre que o cavalo não responde, não existe ida-e-volta nessa conversação. Considerado linguarudo que leva-e-traz, percebe que desperdiçou energia quando deu pérolas a porcos. Passa a selecionar melhor as amizades. Tira do seu caminho biltres, parvos e songamongas.
Freud localizou o bom dia a cavalo, na sua origem. Na necessidade de falar precocemente com os adultos, já que as crianças não têm todas as respostas para satisfazer àquela fase dos porquês. Cresce brigando contra a própria sombra, irritando-se com a máxima: saber silenciar, em certas ocasiões e nos momentos oportunos, pode ser mais sensato.
Quem dá bom dia a cavalo arrepende-se com freqüência, de tanto se meter em assuntos alheios e tornar-se inoportuno. Mas não abre mão do seu carisma e poder de atração que exerce nos petit comités, arraiais, festanças e - por que não? - nas massas.
Apenas quer ser valorizado, pois tem um recado a dar.

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Leandro M Lourenço      -     27/06/2010
Meus alunos dão bom dia a cavalo, bom dia à Cavalo, bom dia tijolos e tudo mais. Que mal é esse (ou será bem?) que aflige estes jovens? Esta necessidade de se fazer ouvir mas de não se fazer a escutar? É uma rebeldia adolescente, mas não inconsequente. Quem muito dá bom a cavalo, cansa-se sim, mas antes, cansará o cavalo, as mulas e os burros que estão a ouvir.
rodrigo      -     30/03/2010
só uma observaçao... bom dia à cavalo é o correto, pois na epoca os que muito falavam nao eram convidados a descer do cavalo e entrar, por isso davam bom dia à cavalo.


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